Saturday, August 19, 2006

Cartas aos Mortos

Uma vez eu li um livro com esse título: "Cartas aos mortos".

Ruminando seu conteúdo, só consegui sentir seu significado num momento em que, cheia de estofo para falar o que pensava, o que sentia, sabia que não tinha para quem dizer. O fulano principal para quem meu discurso brotava na mente não estava nem aí pra mim ou para o que eu tinha a dizer... voltávamos ao Mário Quintana.

Restava a mim, pobre ser desvalorizado e com palavras e sentimentos em excesso, escrever para quem nunca ia ler. Como uma message in a bottle.

Quantas vezes achamos que entendemos algo, até vir uma onda de vida que nos faz passar por algum momento diferente, que faz doer, que faz crescer, que faz sentir, e só então percebemos que até aquele instante, não havíamos entendido nada...

Tudo a ver com a filosofia taoísta, que diz que não há caminho se não vivermos o caminho.
Não se vive de teoria; de teoria especula-se, pretende-se.

Um livro não vale um momento, se você não viveu aquilo... é uma especulação do sentimento.
Li "O Pequeno Príncipe" quando era bem nova, achei bonitinho, nada demais. Aí, outro dia na casa da minha amiga, esperando qualquer coisa, vi o livro novamente e comecei a reler...
outro livro, outro sentimento. A parte da raposa é antológica: só entende quem viveu, de modo consciente, um amor que te cativou e foi embora. É um dos livros mais bonitos que eu já li.

Fico pensando quantas mensagens importantes estão na nossa cara, mas se precisamos viver para entender, então para que elas servem? Ou elas só estão aí?

Não tenho um fim para esse meu momento, para essa minha carta.

5 comments:

Anonymous said...

Os mortos nao leem cartas, pelo menos ate hoje niguem recebeu a resposta da carta.

Anonymous said...

Os mortos nao respondem as cartas. Ate hoje nao foram recebidas respostas.

paulicko said...

Pois é, este é o ponto! Expressar-se para alguém que vc sabe que não vai nem tomar conhecimento.
É meio óbvio, mas enfim...

Codename V said...

Eu costumo pensar que algumas vezes, colocar para fora o que nos incomoda alivia.

Obviamente não resolve nada, mas pensando bem, quem se importa com o que o morto tem a dizer?

Então, algumas vezes escrever a carta é mais importante do que se o morto vai se dar ao trabalho de lê-la ou mesmo respondê-la...

Pelo menos é o que penso.

paulicko said...

É isso aí! Gostaríamos que "o morto" respondesse, mas no final, o mais importante é colocar pra foram mesmo... Pra ficar registrado em um momento aquele seu pensamento/sentimento, como uma marca da sua evolução.